Por Quê não Retornei da Minha Viagem?

Esta semana, através das redes sociais, me chegou um texto da blogueira Ruth Manus, do “Estadão” que têm tudo a ver comigo e com que viver longe de suas terra, sua família. Como viajante, por quê não retornei da minha viagem? foi o título que escolhi pra falar um pouco das minhas escolhas, quando decidi, sair do Brasil há quase 30 anos atrás.

Ruth Manus faz essa pergunta em algum ponto do seu texto. E como todos nós fazemos escolhas, a de imigrar, é sem dúvida uma das escolhas que têm por trás inúmeras razões. Seja ela pessoal, política, econômica, educacional ou qualquer outra opção, ou falta dela. A verdade que ao deixar sua casa para uma aventura no seu país, ou em outro país, de língua diferente, culturas diferentes, entre tantas outras diferenças, existem ganhos e perdas. E, você deve se preparar para enfrentar essas mudanças.

No meu caso, o “Alto Preço de Viver Longe Casa” paguei e pago sem arrependimentos, pois faria tudo outra vez, se o tempo voltasse, nada mais foi do que parte de um sonho que nasceu quando ainda adolescente e só dez anos depois iniciei o meu voo para terras estranhas, que é a minha casa hoje.

Aquilo que era um sonho de viver longe e aprender à falar outro idioma, após algum tempo já vivendo fora, mudou de estatos e hoje o que menos importa é se vou ou não voltar as minhas origens. Talvez não. Depois de tanto tempo, percebo já não pertencer mais àquela vida. Nem mesmo seria possível me acostumar ao estilo de vida ao qual já pertenci. Entre outras coisas, todos parecem estarem no mesmo lugar. Sim, isso mesmo. Com as mesmas atitudes. É a impressão que tenho à cada visita.

Voar alto e pagar o preço devido, faz parte sim de suas conquistas. Têm de se ter garra, força de vontade e superação como se estivesse em uma trincheira de guerra, para conseguir vencer em terras alheias.

Para mim têm sido anos de muito aprendizado, e de novos sonhos a ser realizados. Um deles será o lançamento do meu livro ainda sem título, mas que espero poder publicar no aniversário de 30 anos morando nos Estados Unidos. Aqui vai um pouco que eu conto sobre essa minha aventura e Por Quê não Retornei da minha Viagem?

“Era 4 de abril de 1986, finalmente a data tão esperada por mim. Ali no Aeroporto Pinto Martins de Fortaleza, encontava-se todos os meus amigos de trabalho e também  amigos de farra, parentes etc. Todos se aglomeravam para se despedirem de mim. Aquilo era um momento único em minha vida até aquele  instante.

Durante muitos anos eu havia planejado aquele dia e, ali estava eu me despedindo de todos para uma jornada que nem mesmo eu saberia o que viria pela frente.

 Volto aos anos 70 mais precisamente em 1974 quando um dia decide que iria morar nos Estados Unidos. Seria o  meu sonho a partir daquela data. Era apenas um sonho de adolescente.  Mas ele cresceu e se tornou quase uma obsessão em minha vida. Durante muitos anos trabalhei para realizar esse sonho e aquele dia de 4 abril, era finalmente o dia D.

Posso me  lembrar de todos que ali se encontrava. Dentre meus familiares, e outros , duas pessoas muito especial. Suzana Lima e Francisca Gorgiano, colega de trabalho em uma agência de Turismo da cidade. Éramos guias de Turismo em Fortaleza. Lá estava também o meu amigo Ernani silva que era o gerente do departamento de receptivo da agência La Fuente Turismo, onde eu comecei a trabalhar na indústria do turismo. Aliás, a razão pela qual fui trabalha com Turismo, é que achava que ali estava o caminho mais curto para eu conseguir realizar a minha façanha. O que realmente aconteceu.

Ali no aeroporto, o  Ernani me entregou um envelope e falou, “leia somente quando chegar lá e encontre forças para fazer o que têm que fazer e volte que estaremos de braços abertos para te receber de volta”. Uma prova de carinho do Ernani.

O Heraldo também companheiro de trabalho, me deu um Dólar amarrado em formato de cruz para dá sorte e, sua atitude foi seguida por outros que estavam presente, como o Marcelo e vários outros. No final daquela brincadeira eu tinha mais ou menos 5 ou 6 Dólares que me trariam muita sorte de verdade.

Eram muitos para se despedirem, mas pouco a pouco fui me despedindo e vi algumas pessoas chorarem o que me emocionou muito. Entre elas, Chica era minha namorada que chorava muito mas tinha também a Suzana, que também chorava. Fiquei sabendo que rolou o maior barraco entre elas depois que parti, porque nenhuma sabia da existência da outra. E como tive que beijar as duas …

 Meus Tios não sabiam se me desejava boa sorte ou se pedia para eu desistir, ainda àquela altura. Estavam muito preocupados porque na verdade não queria que eu partisse para outro país. Eles eram meus segundo pais e de certa forma eles estavam proporcionando tudo aquilo para mim. Foram os últimos de quem eu me despedi os beijei e falei, eu volto em dois anos….

Mas eram muitos e eu não sabia se partia ou se abraçava hum a hum outra vez.  E, de repente a Chica se voltou na minha direção já na porta para o embarque e me beijou outra vez. Era tudo muito emocionante para mim pois nunca havia passado por uma experiência daquele tipo. Há não ser quando estive na casa dos meus pais verdadeiros, dias antes, no interior da Paraíba, para me despedir deles. Minha mãe não aceitava de forma alguma que eu partisse para um lugar tão distante. Considerando que já morava em Fortaleza por alguns anos, na casa do meu Tio André. Na verdade, ela não tinha noção do que era viajar para os Estados Unidos. E, depois de alguns dias com eles, iniciei a preparação para retornar a Fortaleza. A minha mãe iniciou uma preleção em desfavor da minha viagem. Sem nenhum sucesso pois esse momento para mim era muito especial”.

Se você imigrou dentro do Brasil, ou vive em outro país, saberia responder para você mesmo, por quê não retornei da minha viagem?

Sejam bem vindos no Viajando Online Blog, e façam uma boa viagem!