Viajante ou Imigrante, Quem é Você?

Há muitos anos vivendo no exterior, eu nunca soube ao certo quem eu era de verdade,  um viajante ou imigrante. E por muitas vezes tive o pensamento de voltar ao Brasil um dia, pensamento esse que foi se distanciando pouco-a-pouco, mas ao mesmo tempo, a passos firme. Hoje me sinto cada vez mais enraizado na minha escolha, e cada vez mais longe do Brasil. Mesmo porque, apesar de ser um país maravilhoso, Deus esqueceu que ele é brasileiro, ou simplesmente que o Brasil precise se realinhar.

Vejam, que esta nação,  que poderia ser um dos países mais desenvolvidos do mundo, continua se arrastando a passos de Tartaruga, sem falar na corrupção que assola boa parte das divisas que deveriam ser usadas em benefício da população.,.

Como sou “viajante ou imigrante” vou colocar aqui neste post um texto que encontrei na internet e muito me chamou à atenção. Ele fala exatamente desse dilema, que muitos têm, sobre voltar ou não ao Brasil, depois de viver no exterior por alguma tempo. Se é o meu caso, deve ser para muitos outros expatriados.

Intitulado de O Sonho de Voltar ao Brasil pode se Tornar um Pesadelo, por Liliana Tinoco Boechert.

Comuns a quem volta à terra natal, os sintomas acontecem simplesmente porque o estresse de se readaptar à antiga cultura pode ser, pela surpresa, pior que a dificuldade em se adaptar  a um país estrangeiro. Desavisado, o viajante é tomado de sentimentos como solidão, arrependimento, decepção e de não pertencimento àquela sociedade outrora tão conhecida.

Como a cultura é dinâmica, não surpreende os psicólogos interculturais que o retorno mostre um cidadão e um país totalmente diferente daquele do passado. No entanto, quem toma o avião de volta geralmente ignora essa premissa.

Lembranças boas

A expectativa do retorno e da felicidade junto aos seus simplesmente esconde o fato de que depois de algum tempo, ninguém e nenhum lugar permanecem o mesmo. De acordo com Andrea Sebben, diretora da empresa de consultoria Equipe Andrea Sebben Psicologia Intercultural, a saudade colore o país natal e faz com que as lembranças boas fiquem ainda melhores.

“A readaptação do retorno costuma ser mais custosa do que a da ida. Os seus horizontes se alargaram, mas quem ficou, não teve essa oportunidade. Por isso, a pessoa se sente incompreendida e sozinha no problema” , explica Andrea Sebben, que oferece serviços de Educação, Psicologia e Treinamento Intercultural.

Síndrome do Retorno

A nostalgia ao contrário – a tristeza por estar longe do país estrangeiro em detrimento da felicidade por ter voltado  – tomam lugar rápido na vida dos recém chegados. Segundo a psicóloga Sylvia Dantas, coordenadora do Núcleo de Pesquisa e Orientação Intercultural da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) reitera : “A incapacidade de readaptação gera a sensação de isolamento social. A saudade colore, mas a volta ao local que um dia foi familiar e se tornou estranho é um grande custo emocional.”

Acredita-se que a Síndrome do Retorno, que os psicólogos preferem chamar de estresse de aculturação de retorno para não ter conotação de doença, possa ter sido agravada devido à crise dos países desenvolvidos nos últimos anos, fazendo um maior número brasileiros voltarem e alguns em situação financeira desfavorável.

O Ministério das Relações Exteriores reconhece o problema, mas ainda não chegou ao cerne da questão. Com o intuito de reintegrar os brasileiros, o Itamaraty lançou o Guia de Retorno ao Brasil. Distribuído nas embaixadas e disponibilizado na página de internet do Ministério, o documento traz várias dicas sobre serviços e programas de acolhimento em áreas como educação, assistência financeira, serviços de assistência médica, além de outros. O Guia, no entanto, não menciona diretamente a questão do desencontro cultural.

Quem ficou não compreende

A psicologia intercultural e os estudo de questões referente ao tema é algo muito recente, com no máximo 30 anos. De acordo com Sylvia Dantas, é preciso que a sociedade tome conhecimento dessa problemática para que os efeitos sejam minimizados e haja menos casos de sofrimento extremo.

“É importante que o imigrante saiba que ele pode ter problemas para se readaptar ao Brasil. Há relatos de pessoas que dizem não entender como não conseguem se adaptar ao país que idealizaram por tantos anos. E os amigos e a família que ficaram não compreendem o problema”, explica.

Como prevenir

A depressão pode ser tratada e os efeitos da aculturação reduzidos com o tempo, mas o importante é que as pessoas sejam preparadas para trilhar um caminho internacional. Segundo a Dra. Sylvia Dantas, cada indivíduo vai lidar com essas mudanças de forma diferente. A influência da aculturação vai depender tanto de fatores internos – como cada um lidará com a experiência – quanto externos, que seria o que vai encontrar quando voltar. Mas tomar ciência de que isso é um processo natural vivenciado por todos nessa situação ajuda muito. Para prevenir os efeitos, as duas profissionais recomendam a participação em workshops específicos sobre educação intercultural, o treinamento intercultural ou até a psicoterapia, em alguns casos especiais.

Para quem se interessar, o Núcleo de Atendimento  Intercultural da Unifesp oferece serviços gratuitos em atendimento e orientação individual, grupal (familiar), workshops à população e assessoria a organizações públicas e privadas.  O trabalho na Unifesp está se estruturando para atender pela internet, ainda sem data definida.  A Equipe Andrea Sebben Consultoria oferece basicamente os mesmos serviços.

Você que vive no exterior, se acha um viajante ou imigrante?

Sejam bem vindos no Viajando Online Blog, e façam uma boa viagem!